sexta-feira, setembro 16, 2011

Criminologia e Rock, um diálogo necessário.


(Artigo publicado no "Estado de Direito" há alguns meses)


O rock é mais do que um ritmo ou uma forma de construção musical. De origem negra, a partir da "miscigenação" cultural necessária para que pudesse ser aceito pela sociedade norte-americana tornou-se campo plural de produção cultural e um meio de questionamento ao status quo social posto, à intolerância, assumindo o papel de voz da diferença.

Se formos às origens da música negra daquele país, perceberemos no DNA do rock o seu olhar crítico indignado. Os escravos cantavam nas plantações do sul dos Estados Unidos como forma de aplacar a sua dor, de questionar valores e até como forma de comunicação entre si, a evitar a percepção dos tomadores de seu trabalho. Desses cânticos se forja uma nova forma de música; de lá vem o blues e o rhythm-and-blues e o jazz.

O rock, portanto, nasce à margem, ou melhor, vem da margem da sociedade. Da porção de excluídos.

A Criminologia, a partir da inversão ou da ampliação do objeto de análise, com a consolidação do paradigma da reação social frente ao etiológico, tem o dever, portanto de perceber como se exprimem na arte - espaço de deságue da sensibilidade e das sensações humanas - as manifestações culturais marginais, até onde se colocam e como as agências de controle, oficiais ou não, se portam frente a ela.

Cada vez mais fica difícil definir musicalmente o rock. Não há um compasso específico, notas rígidas ou temas que sejam previamente classificados ou não como tal. Trata-se de um conceito musical aberto. Chuck Berry e Jerry Lee Lewis eram rock, Elvis foi rock, Beatles, Rolling Stones, Led Zepelin e Pink Floyd foram rock, assim como Kiss, Van Hallen e Areosmith, Nirvana, Oasis e Guns'n Roses; tal qual R.E.M., Linkin' Park, King's of Leon e Radiohead são Rock.

Da mesma forma, no campo da Criminologia pode-se afirmar que ela não é mais dotada de uma definição específica. São abertos seu conceito, conteúdo e enfoque. Lombroso era criminólogo tal qual Alessandro Baratta o era. Opostos dentro de um mesmo rótulo. Diferentes na mesma caixa.

Sequer pode se ter a certeza de que quando falamos de Criminologia estamos analisando algo que faz parte do mundo do direito, embora os currículos das Faculdades nos digam que sim.

O curioso ou trágico é que o Direito, ao mesmo tempo em que se intitula uma ciência cultural, por sua prepotência e arrogância se nega, rotineiramente, a abrir os olhos às manifestações artísticas.

O "profissional do direto" esqueceu-se da sua condição de hermeneuta e passou a ser um intérprete gramatical, sob a falácia de que a resposta “está na lei”. Assim, cegou-se e ensurdeceu. O verdadeiro intérprete apreende e compreende o conteúdo da norma a partir da realidade social que se apresenta. O Direito da rua nasce antes do Direito “da lei”.

Por isso, quando se fala em Criminologia, tal qual as Universidades Norte-americanas colocam, ela se situa muito mais no campo da sociologia e da antropologia do que do direito penal e processual penal propriamente ditos, pois exige o olhar para além das bibliotecas.

Assim, optei nesse breve escrito trazer, exemplificativamente, um pouco do conteúdo das reivindicações que permeiam o rock mundial e que, demonstram um objeto rico a ser estudado e vivido no sentido de luta pela superação dos preconceitos, das diferenças ou de crítica à atuação das instituições que formam o Estado. O rock é uma metralhadora giratória contra as agências de controle.

“A quem estamos enganando? (...) O coração partido de outra mãe é levado quando a violência silencia. Devemos estar equivocados, é o mesmo tema desde 1916 na sua cabeça, na sua cabeça eles estão lutando com seus tanques e bombas, ossos e armas... na sua cabeça, eles estão morrendo”. Zombie, do The Cranberries, é um hino contra a violência extremista entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte.

“Eu quero ser a minoria, eu não preciso de sua autoridade, abaixo à moral da maioria, pois eu quero ser a minoria. Eu prometo lealdade ao submundo, uma nação oprimida em que resisto sozinho, um mero rosto na multidão contra o modelo, sem dúvida, excluído, do único jeito que eu sei.” Minority, do Green Day, revela sua irresignação frente a uma moral imposta, negando-se a fazer parte de um grupo que impede o reconhecimento das minorias.

“Agora queremos uma chance de fazer as coisas por nós mesmos. Estamos cansados de bater a nossa cabeça contra a parede e trabalhar para alguém. Somos pessoas, somos como os pássaros e as abelhas. Nos devemos preferir morrer em pé a ficar vivos nos seus joelhos. Grite: eu sou preto e me orgulho.” James Brown não se limitava a feel good, tratou de, por meio do rock, lutar pela igualdade racial.

Não seria possível concluir sem a crítica do System of a Down em relação à monetarização da vida, à vulgarização da morte e à indústria de armas em “Boom!”: Tenho andado por suas ruas, onde se ganha todo o seu dinheiro, onde choram todos os seus prédios e gravatas desinformadas trabalham. Revoltantes casas de gramado falso, abrigando todos os seus medos. Sensibilidade perdida para a TV, exagero de anúncios, Deus do consumo e e todas as suas fotos velhas parecendo boas, efeito dos espelhos. Filtrando informação aos olhos do público. Designado a dar lucro a seu vizinho, que cara. (...) A globalização moderna associada à condenações, morte desnecessária, Corporações da Morte manipulando suas frustrações, com a bandeira cegada, manufaturando consentimento. É o nome do jogo. O importante é o dinheiro, ninguém dá a mínima. 4000 crianças famintas deixam-nos a cada hora: Morrem de fome, enquanto bilhões são gastos em bombas, a criar chuvas de morte.”

O rock, portanto, como manifestação cultural originária da margem e engajada em desmascarar as “verdades” postas se constitui em espaço riquíssimo para o olhar criminológico, uma vez que denuncia de forma artística e pulsante a forma como, no cotidiano, a sociedade, por seus poderes instituídos ou não, patrocina um mundo mais preconceituoso, desigual e violento.

quinta-feira, julho 21, 2011

Essa é para os Pais no Dia do Amigo!

Não esqueça que antes de amigo do seu filho, você é pai. Antes de querer agradá-lo, você deve educá-lo. Antes de querer encher-lhe de presentes e "coisas" de grifes que fingem dar sentido à vida pela marca que representam, ensine a ele o valor das coisas e que as pessoas possuem algum valor por aquilo que são e não pelo o que elas têm. Ensine ele a ser educado ao invés de sempre passar a mão na cabeça. Mostre para ele quando ele está errado como uma forma de aprender que errou. Não justifique a falha dele nos outros. Assuma a posição de pai.

O Pai verdadeiramente amigo é o que trata o filho como filho, que aplaude e que "puxa a orelha", que diz "te amo" e "te liga"!

quarta-feira, julho 06, 2011

Criminologia de Garagem 3 - Grandes Marchas


Está no ar o terceiro Criminologia de Garagem, em que se trata das marchas que invadiram o cotidiano mundial e trouxeram enormes repercussões tanto na realidade política (ex. Egito, Grécia, Espanha) como na jurídica (ex. marcha da maconha) de vários países.
Quanto ao som, vale uma referência especial ao Beirut, do Zach Coden, no limite entre o curioso e o genial.
Desfrutem, divirtam-se, critiquem e divulguem...

sábado, maio 21, 2011

O Sol como ponto de partida!




Em 1992 conheci Madrid. Eu tinha 20 anos, o mês era novembro. Recordo como se fosse hoje o dia em que cheguei à “Puerta del Sol”, lembro exatamente da sensação “tá e daí” quando cheguei no local. Tudo bem, um prédio muito bonito dos Correios, do século 18, a escultura do urso na árvore de morangos... enfim, algo que, me pareceu sem sentido.

Passados quase 19 anos, a Puerta del Sol talvez concentre, no momento, o espaço público do planeta mais repleto de significações. Eclodiu na Espanha, no dia 15 de maio, o movimento “Toma la Plaza”. Dalí daquele espaço de agregação de Madri espalhou-se para dezenas de cidades do país do Rei Juan Carlos. Reivindicações: repúdio à corrupção endêmica, à falta de oportunidades para os mais jovens, a crise econômica e repúdio ao modelo político-econômico vigente, dentre outros temas – veja o vídeo das reivindicações (desculpem a propaganda do shampoo)
A mobilização passou, mais uma vez pelas redes sociais. A desordem digital congrega e paradoxalmente organiza. O Facebook se tranforma em um ambiente neo-anárquico, uma anarquia tecnológica, que fluida, concentra vozes, vontades e indignação. E é dela que nasce a mudança. O fim da posição de conforto. A contrariedade e a participação.

É imperativo permanecer acompanhando o que vem acontecendo e o resultado disso tudo.



terça-feira, maio 03, 2011

CRIMINOLOGIA DE GARAGEM N. 2 - LARANJA MECÂNICA



Tá no ar o Criminologia de Garagem 2, sobre o filme/livro Laranja Mecânica!
Assistam, divulguem e critiquem.
Eu, por exemplo, achei muito escuro o vídeo.
Saludos.

quarta-feira, abril 13, 2011

Homenagem ao dia do beijo.



Em homenagem ao chamado "Dia do Beijo", vai o reloaded de um texto antigo.

Qual o gosto?

Desde que nascemos, quase sem percebermos, nossa vida orbita a partir da língua. Não da língua falada, mas deste músculo mágico que nos faz sentir sabores doces, amargos, azedos, salgados, ou, até mesmo, inidentificáveis.
Desde o momento em que colocamos nossos lábios no seio de nossas mães, passamos a sentir, enquanto sorvemos, o sabor da vida. Passamos pelos doces, balas, sorvetes, biscoitos e rapaduras que transformam nossa boca no centro mundial do açúcar. Saímos da infância, ingressamos na adolescência e caímos dentro da boca de alguém.
Exatamente, falo do beijo, de línguas de sabores diversos acariciando-se lenta e ritimadamente (ou não), sem pressa, sem compromisso, relógio ou preocupações. Naquele momento, lábios, bocas, saliva e sabor. Muito sabor.
Qual o gosto do beijo?
Depende do momento, não basta apenas a sensibilidade das papilas gustativas, tudo o que, mais uma vez, orbita ao redor da boca interfere no paladar. O beijo roubado, o beijo mordido, o beijo forçado, o beijo feroz, o beijo na orelha, no pescoço, no ombro, nas costas...
O beijo pode ser doce, amargo, áspero, ritmado ou sem compasso, luminoso, melecado, macio ou aguado, não importa. Cada um tem seu sabor. Mas qual o gosto do beijo ideal?
Não é a pasta de dentes ou o chiclete que fazem a diferença, mas o abraço, o carinho, o afagar ou puxar cabelos, a respiração ofegante, o que ouvimos, vemos, cheiramos, a energia magnética que os corpos entrelaçados se transmitem. Enfim, o gosto do beijo depende da abertura de todos os sentidos.
Assim, descobriremos que o gosto do beijo ideal é o gosto da vida.
Beije, cheire, ouça, veja, sinta, descubra seus sentidos e dê maior sentido à vida.

sábado, abril 09, 2011

Criminologia de Garagem n. 1 - no Ar!



Tá no ar o Criminologia de Garagem n.1.
Tema: O que é criminologia?
Que desfrutem.

sexta-feira, abril 08, 2011

Barbárie e infância!

Não gosto de escrever ainda movido pela emoção de algo que me tocou profundamente, mas silenciar nesse momento, seria o mesmo que assitir passivamente disparo a disparo a morte de cada criança e, por fim, do jovem que segundos antes estava travestido de matador em série.

Se ontem, ao final da manhã, al gum aluno me perguntasse se eu tinha visto o ex-aluno que matou 12 crianças, eu perguntaria, onde? Nos Estados Unidos? Não. Agora é aqui.

O Brasil, país tarjado no seu rótulo como tomado pela insegurança e pelo tráfico de drogas, passou a fazer parte do país em que tragédias ilógicas se estabelecem envolvendo crianças.

Chama a atenção o fato de Wellington Menezes de Oliveira não ter simplesmente ter saído atirando contra crianças que assitiam aula ou que brincavam no pátio. Não. Colocou uma a uma, lado a lado, antes de executá-las. Foi frio. Reputo o ocorrido ontem no Rio de Janeiro como este como o fato criminoso de maior medida na história brasileira praticado por uma única pessoa. Talvez, já que se vive o fetiche do rótulo, Welington seja rotulado como o maior assassino do Brasil.

Sem entrar na questão psicológica - agora não faltarão entrevistas querendo traçar o perfil psicológico do assassino, a fim de criar standards - importante não esquecer, a partir daí, que "o maior assassino do Brasil", era primário, não tinha passagens policiais, era um bom aluno, quieto e religioso.

Talvez, a tragédia sirva para limpar das nossas cabeças estereótipos que tanto contribuem para o preconceito e marginalização.

Muita paz para as famílias das vítimas. A dor é inimaginável.

quinta-feira, março 17, 2011

Acorde, assista e acorde!!!



Só assistindo para compreender o seu significado.
O nome do CARA é NICK VUJICIC.
Assista todos os dias ao acordar e... acorde!
Saludos!!!

CRIMINOLOGIA DE GARAGEM



Tá no "ar" o número zero do "Criminologia de Garagem", um programa que se dispõe a discutir as ciências penais, o ensino jurídico e fatos do cotidiano, regado a muito rock'n roll.

O "número zero" foi apenas um laboratório que realizamos. Gravado em um estúdio para ensaio de bandas em POA, o programa foi filmado pela câmera de segurança do local - criminologicamente apropriado, diga-se de passagem!

A edição foi do Fernando "Mágico" Rotta, que conseguiu resolver inclusive o áudio abafado da gravação, provavelmente oriundo da falta de tratamento acústico adequado das paredes do local.

A ideia sobre o programa me acordou em uma noite de insônia e o Salo (UFRGS) e o Moisés (ULBRA) adoraram e abraçaram-na. Ultimamente, aliás, vem sendo difícil conter a empolgação do Mr. Antiblogdecriminologia.blogspot.com!

Semana que vem gravaremos o número 1. Para isso, gostaria de contar com as críticas e sugestões de todos vocês. O que ficou legal e o que ficou uma merda.

Saudações!

sexta-feira, março 04, 2011

Entre pneus, pedais, velocidade e desaceleração.



O mundo olhou para Porto Alegre na semana que passou. Mais especificamente, para a “cidade baixa”, bairro boêmio, daqueles em que sentimos a cidade pulsando, uma panela de água fervente pronta para a ebulição. Juntamente com o Bom fim, para mim, são os que melhor representam o espírito porto-alegrense, seus vícios, defeitos e virtudes.

Ali, em uma de suas ruas movimentadas, a célula do movimento “Massa Crítica” organizara uma manifestação no sentido de conscientizar as pessoas da necessidade de uma nova utilização do espaço urbano, privilegiando bicicletas em detrimento de automóveis. O grupo tem origem no início dos anos 90, na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. De lá, passou a ser replicado no resto do mundo.

Como de hábito, na última sexta-feira de cada mês, sai o “Massa Crítica” pelas ruas de várias cidades do mundo para celebrar as bicicletas em uma tentativa de chamar atenção das autoridades públicas acerca da necessidade de uma racionalização do espaço público para a utilização de meios de transporte não poluentes, como as magrelas.

Em meio ao "passeio", um motorista aparentemente enfurecido avançou contra os ciclistas, colhendo mais de uma dezena e deixando chocadas as pessoas que participavam e que depois assistiram as cenas. Felizmente, não houve mortes. A partir daí, a dificuldade de compreensão, somada ao anseio de crucificação do motorista em praça pública ocupou os principais espaços de discussão da cidade. O discurso comum é o de que a atitude é injustificável e incompreensível.

Discordo. O ocorrido é compreensível. Mas não é aceitável. É o reflexo de uma cultura estabelecida há muito tempo. Sempre me recordo de um desenho da Disney que assisti algumas vezes na casa da minha avó nos domingos pela manhã, antes do início da década de oitenta. O fantástico youtube promoveu o meu reencontro com essa história protagonizada pelo Pateta e que para mim, explica boa parte do ocorrido. Detalhe: o vídeo é de 1950.

A autossuficiência dos motoristas, somadas às neuroses do cotidiano, à exigência da pressa e a uma constelação negativa de fatos – à “Dia de Fúria”, pode nos permitir compreender o ocorrido. Aceitar ou justificar não, mas compreender sim.

Entendo que o desafio de cada um é, apesar da violência da conduta, não sairmos com tochas e capuzes brancos atrás dos culpados para a execução pública.

domingo, dezembro 05, 2010

E o Rio de Janeiro continua.

Tom Jobim disse:
"Cristo Redentor, braços abertos
Sobre a Guanabara
Esse samba é só porque
Rio eu gosto de você..."

Quem não gosta do Rio?
Algum paulista, talvez, recalcado porque a Av. Paulista não é lambida pelo mar...
Todo brasileiro gosta do Rio de Janeiro, ou simplesmente, Riiio, comodizem os cariocas da gema.
O Rio é o logos da identidade do brasileiro. O Brasil não começou por lá, mas foi "inventado" lá. Dom João VI tranpôs Lisboa para o Rio e penso que a nobreza recém chegada, deve ter adorado a mudança de ares.
Desde então é o porto cultural brasileiro. A capital. Pouco importa que o parlamento e o planalto estejam em Brasília e o dinheiro em São Paulo. O Rio é a capital cultural do Brasil e o que acontece lá, tanto no ambiente cênico como no asfalto quente, retumba, muito mais que ecoa.
Ah, foi lá que se inventou o jeito brasileiro de jogar futebol.
Mas deixando a bola, o samba, a bossa nova e o teatro, temos cenas entrecortadas, da multifacetada cidade, como em um roteiro:
"Passarela do samba. Externa. Noite.
Uma linda mulata, dona de um corpo de belas curvas, vestida com plumas coloridas, samba no pé ao som de uma competente bateria, que ataca os tamborins. Corta!
Favela. Externa. Noite.
Tiroteio. Policiais de uniforme preto, portam armamento pesado. Corta!
Topo do Morro. Externa. Dia.
Homens correm em fuga. Carregam armas e não usam uniformes. Alguns, até, sem camisa. Um deles leva um tiro. Corta!
Maracanã. Externa. Dia.
Jogadores do Flamengo correm atrás do camisa 9 para comemorarem um gol junto à torcida. Fim!
Esse é o Rio. Uma cidade multifacetada com contrastes de alegria e violência em seu cotidiano sem divisão de tempo entre os acontecimentos. Tudo acontece ao mesmo tempo, embora o tempo de hoje seja "A guerra contra o tráfico". Bush certamente deve estar orgulhoso do título.

Tratarei do tema com calma. Hoje, deixarei, apenas. alguns pontos para "pensar na cama".
- A ocupação do complexo do alemão demorou uma hora e meia;
- A razão dos atos de vandalismo foram as UPPs;
- Não há UPP no complexo do Alemão;
- O Complexo do Alemão é um bairro que abriga algumas das favelas do Rio de Janeiro;
Não tem muita água turva pra passar sob essa ponte???

quarta-feira, setembro 22, 2010

Menor não vai para a cadeia...


O Conselho Nacional de justiça visitou o "Centro de Atendimento Juvenil Especializado" do Distrito Federal. Deixando eufemismos de lado, a cadeia destinada ao depósito dos menores acusados da prática de atos infracionais.

Isso aconteceu na terça-feira, dia 21. O que o CNJ constatou?
Vagas: 160
Presos: mais de 320

Celas para dois adolescentes eram ocupadas por quatro ou cinco.

Foi constatada a má qualidade na alimentação, a falta de material em oficinas de trabalho e falta de aulas e professores.

Algo perfeitamente compreensível tendo em vista que o estabelecimento é voltada para a inserção de "medidas sócio-educativas".

Penso naquelas pessoas que afirmam que menor não vai para a cadeia e concluo. Sim, de fato, elas têm razão...

quinta-feira, setembro 16, 2010

Fundamentalismo laico ou E 68 se foi...


A França é o território onde se encontrava uma pequena aldeia de intrépidos Gauleses. Asterix e Obelix divertiam-se ao manter a independência e a cultura de seu povo em meio a um opressor exército de loucos romanos.

Fora da ficção, foi lá que floresceu o iluminismo e as bases do Estado de Direito ocidental. Lá é a casa da secularização, da tolerância (sem trocadilhos nem espartilhos com o Moulin Rouge).

Os movimentos contraculturais encontraram seu estuário em Paris, em maio de 68. Lá se estabelecia a reivindicação estudantil de valores hoje tão intrínsecos de nossa sociedade XXI, ecologia, pacifismo, liberdade sexual, anti-autoritarismo, igualdade de direitos independentemente de gênero ou raça. Em resumo: era proibido proibir (défense d'interdire).

Dia 14 de setembro de 2010, a Assembleia Nacional, por 246 votos a 1, proibiu "a dissimulação do rosto em espaço público". O alvo da lei não é o mímico de rua parisiense que pinta o rosto dissimulando-o no espaço público, mas sim as muçulmanas que vestem o "niqab" (da foto) ou a "burca".

Obviamente que não defendo o uso de tais vestimentas pelas mulheres, mas advogo sem dúvida em favor da liberdade de pensamento, de expressão e de religião. O estado laico tem por característica evitar a imposição religiosa ao cidadãos. Contudo, contraria seus postulados básicos de liberdade impedir a manifestação da liberdade religiosa.

A proibição imposta às muçulmanas consiste no mesmo que proibir a utilização de crucifixos pelos cristãos ou de kipá pelos judeus em lugares públicos. Para muitas mulheres muçulmanas residentes na França, faz parte do respeito aos ditames de sua religião cobrir os cabelos e o rosto. Estima-se que duas mil mulheres usem tais vestes na França.

O fundamentalismo laico, sob a roupagem de uma norma de segurança ou de proteção de direitos da mulher, inverte o eixo de perversidade e impõe a neutralização religiosa. Voltaire revira-se no Pantheón de Paris, onde está enterrado. Não há tolerância no fundamentalismo laico.

O parlamento francês e os que apóiam tal decisão contrariam a história da França, o mito da liberdade - a Marianne semi-nua empunhando a bandeira bleu-blanc-rouge seguida pela multidão na luta pela liberdade, hoje se encontra moribunda às margens do rio Sena... e nem Paris existe mais...

terça-feira, agosto 17, 2010

"War is over" ou 10 minutos.



Encontrei esses meus rabiscos em meio a uma folha amassada e achei legal trazer pra cá.

War is over?
Será?
Nos tratados de paz sim, John, mas não em nossos espíritos. Aqui dentro a guerra continua... e cada vez pior. Mais brutal. Selvagem.
Olho para o motorista do carro ao lado como um adversário. Alguém a quem eu nego a condição humana. Desconheço-o. É o oponente a ser batido.
O oponente por um espaço maior, para alcançar a fila certa, que devo vencer para que eu chegue antes...
Dez minutos antes...
Antes de nada.

sábado, agosto 14, 2010

A cegueira do claro ou A escuridão da luz!



Nem sempre o que é claro é o visível.

Naquelas manhãs de ressaca, quando abrimos a veneziana, sentimos os raios do sol como duas lanças a perfurarem nossos olhos. A ponta da lança atinge nosso cérebro e uma pancada surda quase nos derruba. Fechamos a cortina rapidamente, e, como um lutador de boxe (ou vale-tudo, adequando-se à moda) que precisa do gongo, mergulhamos novamente nas águas doces da nossa cama.

Assim, mesmo na percepção dos sentidos, às vezes, a clareza nos cega.

Da mesma forma, em determinados momentos da vida, não é raro assistirmos situações pelas quais amigos passam e que parecem tão claras para nós que estamos longe do conflito. Não conseguimos compreender a dificuldade de superação do problema.

Por outras, nos sentimos idiotas quando alguém alheio ao nosso drama, cutuca um dos nossos ombros e olha nos olhos com cara de quem está falando com uma planta e esfrega a resposta óbvia na nossa cara.

Há como superar a cegueira da luz? Não sei. Mas tentar olhar a situação mais de longe, como se não fôssemos as personagens do filme, mas apenas uma câmera que acabou de invadir o espaço de alguém, sem roteiro, sem diretor e sem (muito)drama. Luz (agora sim), câmera e ação!

segunda-feira, julho 12, 2010

Recomeçar?

Fim de Copa e surge a questão.
Continuo com o "felipescreve"? Chegou um momento em que caí na armadilha de ter "vários blogues". Sim. Um dia resolvi criar o "fcmo.blogspot.com" para tratar de questões relacionadas à criminologia, direito penal e processo penal.
O tempo passou, a PUCRS passou a fazer parte da minha vida, e criei blogs para os meus alunos (fcmopenal2.blogspot.com e fcmopenal3.blogspot.com).
Resultado, parei de atualizar fcmo e felipescreve.
Em relação aos blogs das turmas da PUCRS já resolvi e "fcmopenal 2 e 3" "morrem" em favor de "fcmopenal.blogspot.com.".
Ainda não sei o que fazer com fcmo e felipescreve. Eles são muito diferentes para fazerem parte um do outro.
Sinceramente, não sei.
Sei, apenas, que o futebol, a partir de agora, desaparece daqui.

quinta-feira, julho 08, 2010

E a Espanha perdeu a virgindade!!!




Sim. Finalmente. Depois de muito passeio de mãos dadas a Espanha foi lá e pegou a Alemoa! Digo a Alemanha.
Sim, o time alegre, técnico e rápido de Löw foi seduzido pelo toque de bola envolvente da Seleção de Penélope Cruz. Iniesta e Xavi, hábeis como Javier Bardem, levaram Scweinsteiger, Özel e companhia para um passeio de avião. Só que desta vez não foi para Oviedo (para uma boa comida, bons vinhos e etc., como em Vicky, Cristina, Barcelona), mas para Port Elizabeth, para a disputa do terceiro lugar.

Enquanto isso a Espanha na busca da taça tenta seduzir uma nova vítima: Bobbi Eden.
Mas cuidado!! Se a holandesa levar o espanhol para um coffee shop ele pode sair de lá meio "zen" e aí... corre o risco de que o "Robben" e não sobre "Sneijder" de todo aquele romantismo.

Em suma... páreo duro na final, sem prognósticos. Nem o Polvo Paul arriscaria!

segunda-feira, junho 14, 2010

Vuvuzelas e a ética da alteridade.


Duas (quase) unanimidades da Copa: a Jabulang é uma excelente bola... ...para a liga mundial de Vôlei... e a Vuvuzela é chata!!

Sim, é chata. Concordo, mas aquela buzina do Estádio de Tóquio é muito pior! O que incomoda na vuvuzela não é o barulho apenas, mas o fato de que o som vai durar, pelo menos, um mês.

Como bom chato, declaro-me (só pela próclise, não precisaria dizer o quão chato sou) a favor da Vuvuzela!!

Sim. Aquela corneta que não para, com o perdão da redundância, deve continuar. Por quê? Porque é uma das características do futebol sul-africano. Lá, jogo de futebol tem Vuvuzela. É o respeito à forma como aquele povo participa do futebol.

No Brasil, hoje se canta, mas durante muitos anos tivemos as charangas nos Estádios. Nada mais chato do que ver o seu time empatando ou perdendo e quatro ou cinco sujeitos impregnando todos os espaços dos ouvidos com o som de marchinhas de carnaval, tocadas por metais, em pleno frio de julho.

Nunca vi nenhum movimento contra as charangas. Hoje, elas foram silenciadas pelos gritos e cânticos das (des)organizadas. Ainda bem.

Lá isso ainda não chegou (talvez por causa das onze línguas, ou porque achem chato gritar, algo meio tribal, sei lá) e a vuvuzela preenche todo o espaço. É o som da Copa!

Prefiro as Vuvuzelas a ouvir do Galvão Bueno que o Michel Bastos "descolou" um lançamento; do Arnaldo que não foi pênalti porque o atacante "dobrou do joelho"; do Casagrande... a voz. Ou, ainda, ouvir o Luciano do Vale festejando "lateraaaaaaalll para o Braaaasilllll".

Deixem a Vuvuzela em paz! Deixem o povo sul-africano expor a sua forma de torcer!

Tolerar a vuvuzela é efetivar da ética da alteridade.

Em tempo de final de NBA, aquela musiquinha que toca em TODOS os ataques de TODOS os times, em TODOS os ginásios, também é insuportável, mas sem aquilo, não é NBA.

quinta-feira, junho 10, 2010

Conduta, Significado e Pós-modernidade.

Jornal Zero Hora, 22 de abril de 2010 – Página 32 – “Envolvido em uma briga em um hipermercado após estacionar o carro em uma vaga para deficientes, o comerciante Rudicir Fernandes de Freitas, 34 anos, diz que não dorme direito há três dias. Preocupado com sua imagem, ele afirma que passou a ser visto como um monstro, mas ressalta que é apenas um pai de família que trabalha 18 horas podia.”Após a referida discussão, Rudicir que tinha pressa em voltar para casa, a fim de assistir um jogo de futebol, atingiu Léo Mainardi, 49 anos, que o havia chamado de analfabeto, ignorante, corno e f.d.p., com uma barra de ferro na cabeça.

Página 33 – “Um dos autores da pichação da estátua do Cristo Redentor disse estar arrependido e que irá se entregar nos próximos dias à polícia. O pintor de parede Paulo Souza dos Santos, 28 anos, [casado e pai de um menino de 4 anos] afirmou que recorreu ao vandalismo para protestar contra a demora nas investigações de crimes no Rio”. Afirmou à reportagem do jornal O Dia: “- Queria pedir perdão a Deus e à população carioca. Eu sei que cometi um ato errado. As pessoas estão achando que sou bandido ou traficante. Não sou nada disso. Sou um ex-militar. Não tinha a noção de que meu ato teria essa repercussão toda.”

Rudicir e Paulo eram anônimos até então. Integravam a massa dos sem rosto. As câmeras do sistema de segurança do hipermercado e a publicidade natural do maior símbolo religioso do Brasil expuseram a outros “pais de família” os crimes[1] a eles atribuídos. Em sua perspectiva, não poderiam estar ali, frequentando as páginas policiais.

Experimentam o acre sabor da instantaneidade da repercussão de seus atos. Rudicir, mais tarde, em casa, viu-se protagonizando cenas de violência nos telejornais da noite. Paulo assistiu a sua contribuição à arte. Ambos só perceberam e concretizaram suas condutas quando a televisão lhes contou o que haviam feito. Parafraseando o segundo, não tinham noção que seus atos teriam tamanha repercussão.

O significado das ações se deu com a repercussão, como se sem ela as condutas não tivessem conteúdo.

[1. Aqui, a palavra crime não assume o conceito jurídico de injusto culpável, mas sim o conceito sociológico de crime como fato social. Sociólogos e criminólogos têm preferido utilizar a expressão desvio, a diferenciar do conceito jurídico de crime. Contudo, dentro de uma perspectiva criminológica entendemos necessário o resgate da expressão “crime”. O desvio, tal qual o crime, é um juízo de valor realizado sobre uma determinada conduta. Contudo, sua perspectiva é mais ampla, uma vez que se refere a qualquer comportamento desaprovado por um determinado grupo social, tenha previsão típica ou não. O desvio, assim, é a conduta que desborda dos padrões estabelecidos, sejam no ordenamento jurídico ou na esfera ético-moral da sociedade. A partir de uma percepção secularizada do fato social, onde o imoral não se confunde com o jurídico-penal, julgamos necessária a imposição de tal termo como marco limite a pontuar a análise que se faz do fato que tem repercussão criminal.]